
NOSSO BARCO TAMBOR TERRA de Ernesto Neto
Ernesto Neto, um dos mais internacionais e conhecidos artistas brasileiros, apresentou uma instalação imersiva, que evocava o cruzamento de culturas entre os diferentes continentes. Nosso Barco Tambor Terra foi uma das maiores esculturas realizadas, até hoje, por Ernesto Neto. A sua forma foi-se definindo ao longo de meses de trabalho, em diálogo com o espaço arquitetónico do MAAT e com o entorno do museu, extremamente denso de um ponto de vista histórico e simbólico, por representar o ponto de partida das caravelas que rumaram para o lugar que depois viria a ser chamado de Américas. Ao longo da exposição, a escultura, que incorpora uma série de instrumentos, foi periodicamente ativada por uma programação musical, a cargo de músicos e grupos de vários lugares do mundo, com atenção especial para os ritmos das diásporas africana e asiática. Simbolicamente, o encontro de ritmos e batidas em Nosso Barco Tambor Terra foi constituir um contraponto à multitude de idiomas falados pelo mundo, aludindo à possibilidade de encontrarmos, em momentos e contextos específicos, línguas comuns que permitam uma comunicação que transcende a verbal e possibilita encontros autênticos e profundos. Coerentemente com o desejo do artista de criar uma obra autenticamente coletiva e diversa, os tambores de vários tipos e proveniências que habitam a instalação podiam também ser tocados pelo público que visitou a exposição.
MAAT_2024
A Espiral Sonora a convite do MAAT, desenvolveu em conjunto com Ernesto Neto o trabalho de curadoria na preparação, inauguração, exibição e encerramento da exposição “ Nosso Barco Tambor Terra”.
Dezembro 2023 - Março 2024
-
Pesquisa e recolha dos instrumentos de percussão de diáspora portuguesa;
-
Elaboração de um booking de instrumentos de percussão para seleção do artista;
-
Aquisição de 90% dos instrumentos que integraram na exposição.


Abril - Outubro 2024
Manutenção e aquisição dos instrumentos de percussão da exposição;
-
Acções de formação direccionadas para os guias da exposição sobre o contexto histórico social dos instrumentos e skills de ativação com o público visitante;
-
Teambuildings para empresas inseridos na exposição;
-
Concepção, direção e programação artística de performances musicais
30 Abril
NOSSO BARCO TAMBOR TERRA
Foi olhando para o rio Tejo que Ernesto Neto teve a assustadora visão das caravelas que rumavam, das entranhas da Europa, em direção ao Brasil, transformando a vida na terra para sempre, que de alguma forma reaparecem, sublimadas, na conceição de Nosso Barco Terra, cujas formas orgânicas e dinâmicas sugerem a forma de um barco, de uma floresta, de um peixe, entre outras reminiscências universais e até cósmicas, como é usual na prática do artista. A grande procissão festiva que sobe do interior da Terra e que desce à beira do Rio sintetizará, com a sua diversidade e sua riqueza de ritmos e batidas, pluralidade e a crioulização (no sentido de Édouard Glissant) que estão no cerne da obra e da visão de mundo de Ernesto Neto. O concerto de abertura tem um caráter celebrativo, configurando-se num cortejo que se inicia no interior da grande instalação e culmina no exterior do museu até à praça do carvão

Mais de 60 percussionistas participaram na performance musical de inauguração NOSSO BARCO TAMBOR TERRA
Percussionistas: Paulo Charneca_PT (perc. Portuguesa), André Soares_PT (perc. Africana), Ricardo Passos_PT (perc. Norte de África), Francisco Cabral_PT (perc. Indiana), Ryoko Imai_JP (perc. Japonesa), Ricardo Cotrim_BR (perc. Brasileira), Rodrigo Slofield_BR ( perc. Brasileira), Mangueirinha_BR (perc. Brasileira) e Ernesto Neto.
Grupos comunitários de percussão tradicional: Bloco Bué Tolo_Lisboa ( perc. brasileira), Bang Bang Percussões_ Almada ( perc. Africana) , Tambores Casa Pia de Lisboa ( perc. portuguesa ) e FINKA PÉ_Bairro Cova da Moura ( perc. Cabo Verdiana).
Curadoria: Tânia Lopes
2 Maio
BUM BUM PATICUMBUM PRUGURUNDUM
A prática musical e artística que são centrais na vida e no fazer de Ernesto Neto, como o lugar central dos tambores na instalação Nosso Barco Terra demonstra. O encontro entre músicos e teóricos musicais de contextos e lugares distintos, que nessa oportunidade se apresentam e trocam experiências e visões de suas próprias práticas no contexto tão específico de uma obra de arte penetrável e que convida exatamente à interação e às trocas. Composto por uma conversa aberta e horizontal entre os diversos participantes, uma visita à exposição e um concerto comentado, o evento será todas essas coisas ao mesmo tempo, sem uma rígida divisão entre um momento e o outro, e com a expectativa que o público possa interagir e participar da maneira mais horizontal possível.

Um concerto musical comentado, por percussionistas de diferentes culturas residentes em Portugal e no Brasil:
Gueladjo Sané ( perc. Africana) de Guiné Bissau;
Ricardo Passos ( perc. Norte de África) de Portugal;
Ustad Fazel Sapand ( perc. Indiana) do Afeganistão;
Osvaldo Pegudo ( percussão cubana) de Cuba;
Tânia Lopes ( perc. Portuguesa) de Portugal;
Ricardo Cotrim (perc. Brasileira) do Rio de Janeiro_BR
Rodrigo Slofield (perc. Brasileira) do Rio de Janeiro_BR
Mangueirinha (perc. Brasileira) do Rio de Janeiro_BR
Ernesto Neto
Curadoria: Tânia Lopes
5 Outubro
O BARCO VAI DE SAÍDA
O Barco Vai de Saída é o título do concerto cortejo que assinala o encerramento da exposição, Nosso Barco Tambor Terra, integrando também o conjunto de programas que celebram o aniversário do MAAT. À semelhança do que aconteceu no concerto de abertura da mostra, reúnem-se neste cortejo festivo um conjunto de músicos de diversos coletivos de percussão, com percursos profissionais artisticamente consolidados e com um relevante enquadramento no desenvolvimento da integração socio cultural de comunidades locais. Circulando de dentro para fora do museu, o Barco vai de Saída inicia-se dentro da instalação de Ernesto Neto, ativando a obra através do canto e dos próprios instrumentos que a integram. O cortejo musical segue depois pela rampa do museu até ao exterior, numa celebração musical contínua, como um simbiótico «corpo vivo» de sons, ritmos, batidas e geografias. Os cruzamentos e a troca de saberes são centrais na prática artística e na visão do mundo de Ernesto Neto. Como escreve Jacopo Crivelli Visconti, curador da exposição, «simbolicamente, os encontros de sons, ritmos e batidas de diferentes lugares do mundo (…) podem ser lidos como um contraponto à multitude de idiomas falados pelo mundo, aludindo à possibilidade, em momentos e contextos específicos, de línguas que permitam numa comunicação que transcenda a verbal e possibilite encontros autênticos e profundos.» O Barco Vai de Saída apresenta-se assim, neste contexto, como um momento simbólico de despedida e celebração da exposição, que partirá do MAAT para outros destinos, com a existência própria que o artista e os seus diversos participantes animaram.

NOSSO BARCO TAMBOR TERRA de Ernesto Neto encerrou com o concerto cortejo “ O BARCO VAI DE SAÍDA” composto musicalmente por coletivos de percussão tradicional de diferentes culturas.
ADUFE & ALGUIDAR - percussão e canto tradicional português;
BAQUE MULHER - percussão e vozes de maracatú, Brasil;
BANG BANG PERCUSSÕES - percussão africana;
BLOCO BUÉ TOLO - percussão e vozes, Brasil
Curadoria: Tânia Lopes


















